Keith Haring

O artista gráfico Keith Haring produziu obras que refletiam, principalmente, a cultura nova iorquina dos anos 80. Seus trabalhos tiveram como base o grafitti, cenas cotidianas e  temas homossexuais/eróticos, devido à sua homossexualidade assumida, derivando-se destes as cores fortes e figuras características.

A Nova York dos anos 80 era um cenário plural tanto artística quanto socialmente, fluindo criatividade em tudo, o que influenciou Keith. Havia o movimento Hip Hop tendo como pano de fundo grafites de Basquiat, o boom da música “discoteque” e uma juventude baseada na busca pelo prazer a qualquer custo, já que a eclosão de uma Terceira Guerra parecia iminente. Disso derivou-se o uso excessivo de drogas e o sexo sem consequência, causando um aumento explosivo nos casos de AIDS  e mortes por overdose, segundo Edward Lucie-Smith.

Neste contexto e baseado nele, Haring criava, chegando a alcançar a marca de 40 desenhos por dia. Suas obras, muitas vezes feitas marginalmente em galerias de metrô ou camisas de transeuntes, renderam-lhe popularidade mesmo entre os policiais, que por vezes prenderam-no mesmo sem entender muito bem o motivo.

Em “Self Portrait with Juan” (1988), estão representados ,em cores vibrantes, dois corpos masculinos nus (o do autor e o do parceiro) com foco nos pênis eretos, evidenciando uma das constantes de sua obra, a homossexualidade.

Ja em “Monkey Puzzle” (1988), desenhos em formato de macaco de cor forte estão encaixados, formando uma gravura maior. A gravura maior remete à imagens presentes em pinturas rupestres aliado ao fato de que os macacos amontoados representam a agitação confusa de new york, o que cria um efeito de oposição de sentidos.

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Análise Estética de Laranja Mecânica – cena I

A cena que será analisada a seguir é a primeira do filme Laranja Mecânica, de 1972, dirigido por Stanley Kubrick. A sequência possui exatamente um minuto e trinta e um segundos e é inserida logo após os créditos iniciais da película.

O filme conta a história de Alex Delarge, jovem de 15 que têm uma forma não ortodoxa de se divertir. Líder de sua própria gangue juvenil, Alex e seus três drugues (amigos) são adolescentes anárquicos, violentos e sádicos, que cometem roubos e estupros pela cidade. Porém, quando é submetido ao tratamento Ludovico, o mais novo recurso do Estado para o controle e diminuição da violência, é que Alex começa sua verdadeira transformação distopia.

O diretor Stanley Kubrick, conhecido pelo seu perfeccionismo estético, aplicou suas técnicas para a elaboração de uma narrativa revolucionária e chocante, baseada no livro homônimo de Anthony Burgess. Kubrick compôs sua impactante visão do futuro através de recursos visuais e musicais inovadores para criar uma verdadeira obra prima da sétima arte.

Kubrick e McDowell

A cena inicial que têm como objetivo apresentar o personagem principal e introduzir através deste os personagens secundários e outros elementos do roteiro, se passa em um bar no qual se serve leite com bebidas alcoólicas, chamado Leiteria Korova, nele está Alex e seus amigos, sentados bebendo moloko vellocett.

Close inicial do rosto de Alex


O cenário em que as personagens encontram-se, ou seja, a leiteria pode ser analisada como um ambiente conceitual e futurístico. Ele mixa a estrutura de um pub à psicodelia oriunda da década de setenta, com uma estética quase monocromática, contrastando fortemente com as cores quentes dos cabelos dos manequins. O conceitual deste espaço deve-se a forma das mesas e da decoração do local, que possuem formas de mulheres nuas em posições eróticas, com os cabelos e pelos pubianos coloridos, apoiadas sobre as mãos e os pés, com as pernas abertas e a vulva protuberante. O contraste é feito com a cor das paredes, que é preta, deixando o cenário com um ar sombrio, nesta parede encontra-se palavras como “moloko vellocett”, escrito em cor branca, o que seria justamente o cardápio do lugar.

Leiteria Korova

Todos os personagens relevantes para a trama estão usando roupa branca e bastante semelhante, como fosse um uniforme da gangue, composto por uma camisa de manga, calça, suspensório e suspensório escrotal, com chapéu e botinas pretas. Porém, cada vestimenta dos quatro drugues diferencia-se em alguns detalhes, por exemplo, o figurino de Alex é composto por um chapéu coco preto e ele usa cílios postiços. A mensagem que o figurinista quis passar neste caso, é que por serem adolescentes, suas roupas brancas lembram pureza e serenidade, o oposto do que esses jovens são, causando um maior impacto entre o ambiente hostil do bar e a personalidade dos personagens. O resultado disso é um grande choque no público. Já os cílios postiços de Alex lembram uma engrenagem, e fazem de forma direta uma referência ao livro que deu origem ao filme, no qual a ilustração original da capa possuía um crânio humano com uma engrenagem em volta de um de seus olhos. O chapéu usado por ele passa a mensagem de requinte e elegância de Alex, que mesmo sendo um delinquente juvenil aprecia musica clássica e o seu maior ídolo é Ludwig van Beethoven.

Capa do livro

A cena se passa de maneira progressiva e contínua, e em seus noventa e um segundos de duração aparece o personagem principal em primeiro plano, olhando fixamente para a câmera enquanto degusta um pouco de leite, em seguida, através de um traveling regressivo a lente da câmera abre para um plano geral, assim é introduzido os outros personagens e os elementos da narrativa, com uma sequência direta sem corte.

Nesta tomada a música possui ligação direta com o discurso do personagem, que é feito em primeira pessoa, porém essas falas são apresentadas como pensamentos de Alex, que é personagem e narrador da historia. De forma serena e resumida ele apresenta ao espectador ele, seus amigos e o local a onde estavam. Utiliza gírias nadsat, propriamente oriundas do livro para descrever o que estavam fazendo ali e o que esperavam para mais tarde, que era nada menos do que uma noite de “ultraviolência”. A música sombria, densa e até mesmo repetitiva envolve a cena com sua sonoridade e acompanha a progressão do discurso de Alex, criando um clima tenso e incomodo para o espectador. E assim acaba a primeira tomada de Laranja Mecânica.

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Dalton Trevisan

Nascido em Curitiba no dia 14 de junho de 1925, Dalton Trevisan é um dos melhores contistas brasileiros. Conhecido por sua reclusão possui uma espécie de obsessão pelo anonimato, o que lhe permite que seja o observador urbano, tal característica o fez ficar conhecido como O Vampiro de Curitiba.

O escritor faz uma literatura leve, lírica e erotizada, fiel aos pequenos detalhes da vida. Em seus contos ele constrói um modelo reduzido de Curitiba, inspirado na província em que passou sua juventude, com uma linguagem agradável, um olho atento à realidade, fidelidade aos mitos de infância e personagens de carne e osso.

Dalton define a literatura como: “O que se espera de um bom e vero escritor (é) o strip-tease do corazãoçinho esfolado e ainda pulsante.”

Segue, na íntegra, o conto “Apelo”  do autor:

”Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, leite  primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas aflições do dia.
Sentia falta pela briga pelo sal no tomate – meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas ,na janela, não lhes poupei água e elas murcharam. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.”

Nesta trama psicológica, Trevisan evidencia uma situação angustiante e sofrida, características que, também, definem bem algumas suas obras. A personagem principal e a circunstância em que está inserida são construídos e mostrados de modo tão verossímil que poderiam ser um relato real, o que só reafirma o talento do Vampiro de Curitiba.

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Joseph Beuys

O artista alemão Joseph Beuys ,que produziu uma obra plural que incluía performances, esculturas, vídeo e instalação, é considerado um dos maiores influentes personalidades no meio artístico europeu do século XX.

Joseph Beuys

Ele dizia que toda pessoa é um artista, ou seja, que estamos todos habilitados a criar. Para ele, as regras na arte não faziam sentido. Acreditava na possibilidade de transformar o mundo através da arte.

Sua trajetória mescla arte e política o tempo todo, um exemplo disso é sua performance realizada em 1974, I Like America and America Likes Me. Nela Beuys, ficou durante oito horas, num período de três dias, trancado com um coiote na galeria René Block, em Nova York, enrolado somente em um cobertor de feltro. Foi transportado para lá direto do aeroporto, de maca, em uma ambulância e, ao fim da ação, foi levado de volta da mesma forma. Assim, deixou os estados Unidos sem pisar em solo americano. Esses elementos irônicos e críticos, com uma dose de risco, presentes na Obra de Beuys estão na arte até hoje é são essencial para entender a produção contemporânea.

Performance I Like America and America Likes Me.

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Performances Artísticas

Performance nas artes visuais é uma obra da escritora Regina Melim. Neste livro, ela evidencia a arte contemporânea a partir da contextualização histórica de diversas praticas definidas como performance. Tais manifestações atingiram seu apogeu nas vanguardas das décadas de 1960 e 1970, no entanto desde 1920 elas já estavam presentes no cenário artístico.

No livro, seu valor histórico é analisado a partir das diferentes modalidades e denominações que teve no século XX e nos diversos meios e circunstâncias em que é realizada até hoje. Analisando através dos elementos que a compõem, pode ser representada por vídeos, fotografias, desenhos, filmes, instalações, textos, esculturas e pinturas, deixando evidente sua amplitude.

A performance originou-se de três diretrizes diferentes, uma da vontade de romper com o convencionalismo, a de expandir os espaços físicos das quais as obras estavam condicionadas, como museus e galerias, e conseqüentemente, abalar a estrutura do sistema comercial, e a de fundir arte e vida, aproximando-a do cotidiano.

O irônico, é que apesar de criticar a lógica do circuito comercial artístico, os registros dessas performances foram apropriados por este tipo de mercado, atualmente artistas como Joseph Bueys, Cildo Meireles e Hélio Oiticica, que combatiam o sistema encontram-se inseridos nele.

Entretanto, a performance nas artes visuais agrega informações e perspectivas valiosas, pois sua analise rejeita a hierarquização,e de modo quase anárquico, destroi a tradicionalidade da relação entre artista e público , possibilitando uma aproximação de ambos, com inúmeras interpretações e reações inusitadas do espectador.

Exemplos de performances:

Joseph Beuys durante a preformance Como Explicar Desenhos a uma Lebre Morta. Rosto coberto de mel e pó de ouro.

Bandeira Branca, de Nuno Ramos, apresentada na Bienal de São Paulo deste ano.

o Que è Arte? Para Que Serve? Perfoemance de Paulo Bruscky em 1978.Crítica ao circuito formal de arte.

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Beatles

A década de 60 pode ser resumida em uma palavra, revolução. Nesse período de contestação a juventude se rebelava contra o formalismo da sociedade, que era autoritária e repressora. Essa mudança foi antes de qualquer coisa, uma mudança de costumes, na qual os jovens contestavam tabus morais impostos pelos pais. Conseqüentemente, houve uma revolução cultural, nela a chamada arte modelar cedeu espaço a uma arte contestadora, que tinha como principal público as massas juvenis.

Nessa época um grupo de quatro meninos de Liverpool ganhou espaço e começou a fazer sucesso na Inglaterra. O quarteto formado por Paul McCartney, John Lennon, George Harrison e Ringo Starr compunha musicas que provocavam a histeria no publico juvenil, com seu estilo mod e suas canções “Twist and Shout”, “A Hard Day’s Night” e “Can’t Buy Me Love” os Beatles venderam inúmeros discos na Inglaterra e tornaram-se fenômeno mundial, o qual foi chamado de Beatlemania.

Durante sua carreira os Beatles produziram discos memoráveis, considerados verdadeiras obras primas, como o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e Revolver, que contem composições cheias de experimentos musicais e letras complexas. Eles influenciam ate hoje inúmeros artistas, e são considerados a maior banda de rock de todos os tempos. Porque, para falar a verdade, quem nunca escutou “Help”, viu a capa de Abbey Road ou ouviu falar em John Lennon, não é mesmo?

Bom, é dificil escolher uma só música dos Beatles para postar aqui, mas eu escolhi “Strawberry Fields Forever” composta por John Lennon e creditada a Lennon-McCartney. A música é do album Magical Mystery Tour, lançado em 1967. A letra fala sobre Strawberry Fields, lugar onde Lennon costumava brincar na infância em Liverpool. A melodia possui acordes produzidos por três violoescelos e quatro trompetes, com um trabalho do engenheiro de som, que teve que fundir duas tomadas diferentes da música, recurso que era quase impossível de ser feito na época.

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Andy Warhol

A Pop Art foi um movimento artístico que criticava a sociedade consumista em massa. Ela desenvolveu-se entre as décadas de 50 e 60, num período que o mundo passava por revoluções tecnológicas e sócio-culturais. Nesse contexto da Guerra fria, o mundo sofria com o processo de dualidade sociopolítica, o que refletia diretamente no comportamento da sociedade. Devido à crescente afirmação do capitalismo como sistema regente, as pessoas foram afetadas diretamente com o fator chamado consumo, o entretenimento passou a ser uma indústria, com a produção de audiovisual em larga escala, tanto no ramo da musica, como do cinema e também da televisão, que acabara de surgir e tornava-se cada vez mais popular.

Esse foi o placo em que Andy Warhol atuou, criando obras revolucionarias por refletirem a imagem do cotidiano daquele tempo, embutidas de certa ironia e critica social. Ele foi um dos primeiros artistas a retratar em suas telas pintadas imagens comerciais, como a sopa Campbell’s e o sabão Brillo, de comunicações em massa e estrelas do cinema e da musica.

Com o uso da técnica chamada serigrafia era possível que Warhol reproduzisse mecanicamente diversas vezes a mesma tela, criando assim o conceito comercial dessas imagens, que eram feitas praticamente em série dentro de seu estúdio batizado de “Fabrica”, onde ele e mais diversos artistas trabalhavam como operários da arte.

"Factory"

As Polaróides são uma serie de fotografias feitas por Andy Warhol de pessoas famosas, tiradas com uma de uma câmera de mesmo nome, popular na época pela praticidade que proporcionava ao revelar a imagem instantaneamente.

Yoko Ono e John Lennon

 

Truman Capote

O designer, artista plástico e cineasta Andy Warhol revolucionou o conceito de arte e a maneira como ela é feita, ao expor uma relação direta entre arte e capitalismo, abrindo vários expoentes para a produção artística do século XX.

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